Três frentes de trabalho no cruzamento entre arte, jornalismo e direitos indígenas: de um documentário sobre responsabilização corporativa a anos de cobertura do maior encontro indígena do Brasil.
Em 2024 tive o privilégio de assinar a montagem do documentário “Parem a Destruição”, do artivista Mundano, dirigido por Mirrah da Silva e produzido pela Stand.earth. O filme acompanha a criação de um mural de 1.500m² no centro de São Paulo, pintado com mais de 100kg de cinzas de queimadas brasileiras e lama das enchentes do Rio Grande do Sul, que cobra publicamente a família Cargill-MacMillan por promessas ambientais não cumpridas.
O mural reproduz o rosto da ativista indígena Alessandra Korap, vencedora do Prêmio Goldman (o “Nobel do ativismo”), com a mensagem “mantenham a sua promessa”. Combinando arte de rua, projeção e mobilização digital, o projeto transforma uma promessa corporativa numa imagem pública e impossível de ignorar.
Documentário sobre povos indígenas isolados e de recente contato (PIACI) na Amazônia peruana, feito em espanhol em colaboração com a ORPIO (Organización Regional de Pueblos Indígenas de Oriente). O projeto nasceu da minha troca com organizações indígenas latino-americanas, viabilizada pelo espanhol fluente e pelos estudos de documentário criativo em Barcelona.
O ATL é o maior encontro anual de povos indígenas do Brasil, realizado em Brasília. Ao longo de várias edições cobri o acampamento pelo Greenpeace Brasil, mantendo contato próximo com lideranças indígenas e ONGs aliadas pra transformar dias de mobilização, discursos e pressão política em vídeos que explicam por que o evento importa, e o que está em jogo, como o garimpo ilegal em terra indígena.